Arquivo mensal: março 2015

A vida é o que você faz dela

Todo mundo já está cansado de saber que cada um tem o poder de se fazer feliz e tal. É claro que tudo é muito lindo em um texto, em um vídeo, uma poesia. Mas na vida real nem sempre é fácil de fazer o que deve ser feito.

Existem milhões de textos de auto ajuda com ideias e conselhos sobre o que fazer para ser feliz, o que fazer para ter sucesso, como ser feliz em um relacionamento e por aí vai. E no fundo são todos clichês, porque vamos confessar que, ao ler esses textos nós simplesmente sentimos que tudo ali é óbvio, a gente já sabia. Mas é ou não é bom ler algo que te dê um empurrãozinho, uma força, que te chacoalhe e grite “acorda pra vida”?

Os dias tem passado tão rápido. Somos crianças e de repente já estamos repletos de responsabilidades e compromisso. Não temos tempo para nada, precisamos estudar cada dia mais, trabalhar mais e mais, resolver problemas de relacionamentos… Tanto a resolver e decidir, mas o tempo para viver onde fica? Amigos já não podem mais se encontrar como faziam quando eram jovens, cada um tem sua vida e já não há muito espaço para outros. As famílias precisam se desdobrar para conseguir passar tempo juntos. As pessoas nem se conhecem mais. Sabem apenas o trivial, o que lhes convém.

Sinto que as pessoas estão distantes delas mesmas. Mal sabem o que desejam de verdade. É tanta informação, opções que jorram  na nossa cara, fazendo com que fiquemos ainda mais em dúvida do que queremos para nossa vida. Isso resulta em escolhas ruins, erradas, equivocadas. No quesito profissional, amoroso… e quando vamos ver, estamos infelizes, incompletos, não realizados.

Agora me diz como fazer para reverter essas situações? Cada um pode dizer uma coisa, e não tem opção certa ou errada. Na real, a coisa certa a fazer é aquela que vem de dentro de você. Sério! Aquela vontade que surge da alma, que te faz desejar aquilo com todas as suas forças. E se é o que se sente, não pode estar errado. Porque só o que importa nessa vida é que a gente seja feliz, e faça o que nos faz bem.

Mudança

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“Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama… Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de TV, compre outros jornais… leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado… outra marca de sabonete, outro creme dental… Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!”

– Clarice Lispector