Sessão Cartas: Parte 1

Essa Sessão de Cartas terá várias partes, e tem o intuito de que cartas que eu não poderia enviar para a pessoa, por diversos motivos, sejam escritas e jogadas ao vento. Talvez por desabafo, ou talvez uma tentativa de que a pessoa um dia possa ler…

A parte 1 começa com uma carta que já poderia ter sido escrita anos atrás, mas agora sim as palavras estarão certas.

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Carta a um pai ausente.

“Pai. Essa palavra sempre foi usada por mim por simples costume, não no seu sentido literal. Afinal, qual é a definição de pai? *Pai tem a função de amar e educar uma criança, dando resposta às suas necessidades mais básicas, para que ocorra o seu saudável desenvolvimento quanto ao aspecto físico, emocional, psicológico e espiritual. Essa é só uma definição bem simples. Mas já é suficiente para saber que o meu pai, na realidade nunca foi pai.

Quando eu era criança, tinha sérios problemas em aceitar que a maioria das crianças tinha um pai presente e eu não. Quando ia chegando Agosto e as professoras começando os projetos de dia dos pais, ia me dando um frio na barriga, aquela sensação de que você não faz parte daquilo. Quando eu era adolescente, sentia falta de ter um pai que me levasse e buscasse nas festas, na casa das amigas, de um pai que sentisse aquele ciúme bobo dos namoradinhos… Senti falta em todos os meus aniversários, apresentações de escola, de dança, formaturas… Você nunca soube de nada da minha vida. Quem eram meus amigos, por quem eu era apaixonada, minha matéria favorita na escola ou a que eu não ia tão bem. Nunca soube se eu estava doente, se eu estava com algum problema. 

Graças à Deus, eu fui presenteada com a melhor mãe que alguém pode ter. E ela soube fazer o melhor que pôde para balancear a ausência que você fez na minha vida. Claro que nunca preencheu o espaço de figura masculina que eu precisei, e talvez isso tenha determinado algumas escolhas na minha vida… Mas o importante é que a minha mãe, me criou muito bem e me deu tudo o que eu precisei. Continua dando. Com isso, eu não quero dizer em relação ao dinheiro. Nunca fui rica financeiramente, mas de amor sim. Sempre tive apoio nos estudos, sempre tive o acompanhamento e aconselhamento dela. E nos tornamos melhores amigas. Nem sempre a vida é como gostaríamos. O casamento de vocês pode não ter dado certo, mas não foi em vão, afinal, dele nasceu uma vida. Uma filha para minha mãe. E uma amiga por toda a vida. Eu me sinto lisonjeada e imensamente grata por ter tido a ‘sorte’ de nascer de minha mãe.

Agora, com 24 anos, sou uma mulher quase independente. Ainda moro com a minha mãe, mas já estou dando um rumo à minha vida. Eu trabalho, estudo, e junto com a minha mãe, nós damos conta do recado. Não precisamos de mais nada. Eu superei a falta que você me fez nesses últimos 20 anos. E estou bem comigo mesma.

Da última vez que entrei em contato com você, depois que recebi a visita de um amigo seu, dizendo que você não estava bem e tal, não sei exatamente o que houve. Eu dei o primeiro passo e te mandei uma mensagem. Íamos marcar de nos encontrar, e eu estava disposta a conversar e até falar tudo o que eu tinha entalado em mim. E quando eu disse que não poderia naquele dia que você sugeriu, nunca mais você me respondeu. Se for o que seu amigo me disse, que é porque você é orgulhoso e não gosta de ser contrariado, isso talvez justifique todas as vezes que você simplesmente sumiu do nada e ficou anos sem dar notícias. Se é isso, me desculpe mas é uma imensa imaturidade. Criancice mesmo. E sinceramente, não tenho muita paciência em lidar com isso.

Se um dia você ler tudo isso e entender, e ainda assim quiser vir falar comigo, acredite, eu irei te receber de braços abertos. Mas não espere que eu vá atrás de você, porque eu não preciso de você. Tenho todo o amor que eu preciso, bem ao meu lado, e nunca fui ingrata nem dispensei esse amor.

A escolha sempre foi sua. Cada um é responsável por suas próprias escolhas na vida. E depende de você se sua vida será feliz ou não. Eu sempre estive no mesmo lugar, e você sabia onde me encontrar.

A escolha é sua. Você quer ser responsável por sua vida e fazer dela melhor ou não?

Espero que Deus esteja de olho em ti, e que você fique bem…

Sinceramente, Vanessa Medeiros.”

 

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Um comentário sobre “Sessão Cartas: Parte 1

  1. Sempre achei triste a sua relação com o seu pai. Mas que bom mesmo que você teve uma mãe de ouro para complementar esse espaço vazio. Afinal, pai é quem cria, e você teve seu avô para fazer esse papel também. Parabéns pelo amadurecimento que isso lhe proporcionou Vanessa!

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